Compartilhar:
|
História trágico-marÃtima
Bernardo Gomes de Brito
|
|
O MAR INFINITO Ana Miranda
Se a ciência diz que somos água, significa que a nossa essência é feita dos oce-
anos nos quais nos originamos. Isso talvez explique a sensação que nos dá a terrÃvel e bela experiência da leitura desses relatos de naufrágios, a História trágico-marÃtima. É como se estivéssemos revolvendo partes profundas, não apenas do nosso passado, mas da memória distante, da qual só temos indÃcios em sonhos e impressões fugazes.
Na leitura da História trágico-marÃtima, de uma maneira misteriosa nos reconhecemos, pois uma parte de nós vem da herança portuguesa. Somos um paÃs surgido do contato violento entre dois mundos. Se esses relatos versam sobre a odisseia dos nossos navegadores, iluminam na verdade os elementos da fundação da parte branca de nossa cultura. Ficamos sabendo um pouco mais
sobre quem eram aqueles antepassados que viveram as grandes navegações. Não os nomes históricos, como Cristóvão Colombo ou Pero Vaz de Caminha, mas os heróis anônimos, os mareantes, os fidalgos, os calafates, os pajens, os lÃnguas, os padres, os pilotos, até mesmo as mulheres que partiam nas naus de carreira. Descobrimos o que sentiam, viam, pensavam, essas pessoas que se
atiravam numa esfera desconhecida, habitada por sereias e monstros, o mar português, feito não de água mas de sonhos e medos, pessoas dotadas de uma capacidade quase infinita de suportar o sofrimento e de incertezas semelhantes à s que temos hoje em relação ao espaço sideral. Imaginamos o que levava a disputarem um lugar numa aventura que parecia uma tentativa de superação da própria condição humana, pessoas tão diversas, expondo-se à brutalidade, à s provações divinas, ou à morte, esbargadas ou feitas em rachas na busca do ParaÃso terreno, movidas pelas lendas e pelos grandes livros de aventuras humanas, o Êxodo bÃblico, as peripécias de Ulisses, atraÃdas pela geografia mÃtica de Marco Polo, vivendo o grande embate entre ciência e imaginação, ambiva-
lência que reinou sobre os descobrimentos. Ler a História trágico-marÃtima é como navegar no segredo da nossa relação com a natureza e com o mundo, afundar nas misteriosas razões de nossos gestos, nossos sentimentos, nossos medos. Uma experiência terrÃvel, fundamental e, por fim, maravilhosa, pois o narrador é um sobrevivente, e isso nos proporciona a ilusão de que podemos também sobreviver à s mais brutais circunstâncias da vida. |
| |
|
Considerações sobre as causas da grandeza dos roman... Montesquieu | |
|
| |
|
IDENTIDADE BRASILEIRA Santos Dumont: o homem voa! Henrique Lins de Barros | |
|
| |
|
Alexandre o Grande Johann Gustav Droysen | |
|
| |
|
Maomé e a ascensão do Islã David Samuel Margoliouth | |
|
| |
|
Além do crime e castigo: tentativas de superação Jean Améry | |
|
| |
|
História dos Cavaleiros Templários e do Templo, A Charles G. Addison | |
|
| |
|
Tesouro descoberto no máximo rio Amazonas - volume 2 Padre João Daniel | |
|
| |
|
Tesouro descoberto no máximo rio Amazonas - volume 1 Padre João Daniel | |
|
| |
|
Introdução a Confúcio Richard Wilhelm, Sima Qian e Ku Hung Ming | |
|