368 páginas
ISBN: 85-85910-83-6
Tradução: Wilma PatrÃcia Mass e Carlos Almeida Pereira
Revisão: César Benjamin
R$ 58.00
A combinação do espaço de experiências e do horizonte de expectativas de uma coletividade humana constrói uma idéia especÃfica de tempo, uma idéia cultural, diferente do tempo da natureza. A história, pois, deve ser apreendida em sua própria historicidade. Koselleck rastreia principalmente o surgimento do conceito moderno de história, para ele a mais importante inovação conceitual da modernidade.
Até meados do século XVIII, o termo história (em alemão, Historie) era sempre usado no plural para designar narrativas particulares, descosidas entre si: a história da Guerra do Peloponeso, a história de Florença, a história da Igreja. A função dessas narrativas era prover exemplos de vida a serem seguidos pelos contemporâneos. O Iluminismo altera essa relação do homem com o tempo. No lugar da Historie, entra a Geschichte, termo da lÃngua alemã que designa uma seqüência unificada de eventos que, vistos como um todo, constituem a marcha da humanidade.
Toda a humanidade inclui-se agora em um único processo temporal, que contém em si a sua própria narrativa. A história torna-se o seu próprio objeto. Abre-se o caminho para a criação da filosofia da história, que pretende apreender o passado, o presente e o futuro como uma totalidade dotada de sentido. A história deixa de ser a mestra da vida. É da construção de um futuro planejado que agora se trata. Nas sociedades modernas do Ocidente, o espaço de experiências do passado e o horizonte de expectativas de futuro se dissociam, e o conceito de progresso faz sua entrada triunfal na cultura dominante.
Como diz Marcelo Jasmin na apresentação desta edição: “Se as histórias (no plural) guardavam a sabedoria acumulada pelos exemplos do passado para servir de guia à conduta presente, evitando a repetição dos erros e estimulando a reprodução do sucesso, a História (como um singular coletivo) tornou-se uma dimensão inescapável do próprio devir, obrigando toda ação social a assumir horizontes de expectativa futura (...). Não se trata tão-somente de uma alteração nos significados tradicionais, mas de uma verdadeira revolução nas maneiras de se conceber a vida em geral, de imaginar o que nela é possÃvel ou não, assim como o que dela se deve esperar. É este um dos sentidos em que a história conceitual de Reinhart Koselleck vai além da pesquisa etimológica ou filológica do conceito. Ela é uma pesquisa da consciência humana no seu enfrentamento com as condições de possibilidade da existência, daquilo que se é, e daquilo que se pode vir a ser.†É da gênese – e dos limites – da modernidade que estamos tratando neste livro fundamental.
Renhart Koselleck nasceu em Gorlitz, Alemanha, em 23 de abril de 1923. Terminou seu doutoramento em 1954, apresentando a tese CrÃtica e crise, lançada no Brasil pela Contraponto. Sua obra dedicou-se, antes de tudo, a investigar a teoria da história e os principais aspectos da história moderna e contemporânea. Foi professor nas universidades de Bochum, Heidelberg e Bielefeld. Foi co-autor do monumental Geschichtliche Grundbegriffe. Historisches Lexikon der politisch-sozialen Sprache in Deutschland, um dicionário histórico dos conceitos polÃtico-sociais fundamentais da lÃngua alemã, em nove volumes, publicados entre 1972 e 1997, que teve como principal objetivo conhecer “a dissolução do mundo antigo e o surgimento do moderno por meio de sua apreensão conceitualâ€.
César Benjamin
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