168 páginas ISBN: 978-85-7866-022-2 R$ 28.00
Cada indivÃduo se transforma em uma vÃtima em potencial, cercada por fatores de risco e fatores de proteção. Desenvolve-se o mercado da segurança, e a expansão do poder punitivo, em todas as direções, captura a Academia, a sociedade civil e movimentos da cidadania. Atrás do discurso politicamente correto do bom-mocismo acadêmico, o que se vê é a legitimação do aumento exponencial dos autos de resistência, que só no Rio de Janeiro chegam a 1.300 por ano.
Nas classificações, estatÃsticas e georreferenciamentos sempre há espaço para o extermÃnio dos inclassificáveis. O Estado agencia o extermÃnio, e a intelligentsia trata de mascará-lo atrás das boas intenções, as polÃticas de segurança pública com selo dos direitos humanos. As operações letais de alta intensidade não precisam mais ter sentido técnico, de resultados: o sucesso é o enfrentamento em si. Enquanto se dá o extermÃnio em nÃveis ascendentes, a sociologia faz a sua parte, calculando o custo dos presos, mapeando as criminalidades, organizando as vÃtimas, treinando os policiais.
Edson Lopes aponta as semelhanças entre a tautologia positivista e a sociologia funcionalista de hoje. Nos geoprocessamentos das vulnerabilidades juvenis, a descrição em si da pobreza (desestruturações econômicas e familiares, humanos sempre “em faltaâ€) é que vai ser associada ao crime e à periculosidade a serem administrados pelo controle territorial: com prevenção e repressão. Precisamos produzir um mapa que demonstre a coincidência territorial entre essa sociologia funcionalista e o aumento do extermÃnio. São essas pesquisas tautológicas que fornecerão a comprovação cientÃfica da relação entre a pobreza e a criminalidade: vão produzir argumentos para a expansão do poder punitivo em todas as direções.
Ao demonstrar essa vontade de sujeição e ao desmascarar os discursos que lhe dão suporte, Edson Lopes nos ajuda a interpretar melhor a nossa torturante contemporaneidade. Os efeitos estão aÃ: principalmente a fascistização das relações sociais e a inculcação subjetiva do desejo de punir.
Vera Malaguti Batista
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