516 páginas ISBN: 978-85-85910-96-9 Tradução: Marcos Sinésio P. Fernandes e Francisco José D. de Moraes R$ 76.00
O filósofo deixou planos para a organização dessa obra que não pôde completar e chegou a agregar subtÃtulos que assinalam a sua ambição: Tentativa de uma transvaloração de todos os valores e Tentativa de uma nova interpretação de todo acontecer. Em abril de 1884, escreveu a um amigo: “(...) pretendo empreender uma revisão de minha metafÃsica e de meus pontos de vista epistemológicos. Passo a passo, tenho agora que atravessar uma série de disciplinas, pois me decidi, daqui para diante, empregar os próximos cinco anos no acabamento da minha ‘filosofia’, para a qual construà uma antecâmara com o meu Zaratustra.â€
A questão da autenticidade dos textos já foi superada, mas nunca saberemos como o próprio Nietzsche os organizaria se tivesse redigido a versão definitiva. Por isso, escreve Gilvan Fogel na apresentação: “É preciso que vejamos tal obra [A vontade de poder] como uma rica antologia de textos nietzschianos tardios. Diria Nietzsche, dardos, flechas lançadas contra nós, a nós... Que dardos! Que flechas!†E prossegue: “A década de 1880, na vida de Nietzsche, constitui o perÃodo de maior lucidez, de maior intensidade de seu pensamento – de maior poder. É quando seu pensamento está mais afinado com a gravidade de sua tarefa e mais afiado para sua consecução. Essa lucidez coincide com a cunhagem do pensamento ‘vida como vontade de poder’.â€
A obra que aqui traduzimos oferece, pois, a possibilidade de se descortinar o pensamento do filósofo em seu perÃodo mais maduro, mas nela esse pensamento não está acabado e sistematizado. Aparece sob a forma de 1.067 fragmentos – textos curtos, parágrafos, aforismos – que mostram suas idéias tal como surgiram, quase sempre perturbadoras e freqüentemente geniais.
César Benjamin
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